página inicial   |    quem somos   |    como pesquisar   |    anuncie   |    fale conosco
     Agenda:      Feiras    /    Cursos Presenciais    /    Eventos                                                                                     Receba o Viaseg News
PESQUISA RÁPIDA:
produto ou serviço:


Como tratar o trauma do seqüestro


23/06/02

Até o início do ano, seqüestro era um assunto que o psiquiatra Eduardo Ferreira-Santos, 49 anos, conhecia apenas pelo noticiário. Naquela ocasião ele foi procurado em seu consultório, próximo à Avenida Paulista, por uma jovem senhora que havia sido apresada pelos bandidos. O sofrimento que ela apresentava era de tal intensidade, que até mesmo um terapeuta experiente como ele ficou surpreso e indignado. Desse contato, somado a relatos de outras pessoas divulgados pelos jornais e tevê, Ferreira-Santos teve a idéia de criar no Hospital das Clínicas de São Paulo um serviço de atendimento às vítimas que, ao mesmo tempo, tivesse um caráter de estudo e pesquisa, que são condições exigidas pela instituição para abrigar trabalhos dessa natureza. Sua proposta foi aceita e Eduardo Ferreira-Santos, que já pertencia ao Departamento de Psiquiatria do hospital, coordena uma equipe de profissionais - psiquiatras e psicólogos - que iniciou o atendimento há cerca de dois meses. Nesta entrevista, ele explica o funcionamento do serviço e mostra , através das experiências profundamente dolorosas e dramáticas das vítimas a urgência da sua necessidade. Jornal da Tarde - Doutor Eduardo, quantas pessoas o serviço recebeu até agora? Eduardo Ferreira-Santos - Até ficamos surpresos com o pequeno número: 50 pessoas registradas. Muita gente ligou apenas para colher informações. Ocorre também que pessoas seqüestradas têm possibibilidade econômica de procurar terapia ou tratamento particulares. Quem está nos procurando é gente de classe média que não tem recursos ou deixou suas posses com os seqüestradores. Atendi, por exemplo, um senhor aposentado, cujo resgate que pagou foram as economias de toda a sua vida. O seqüestro traz danos tão grandes e sérios que merece atenção da medicina devido ao grau de deterioração emocional que provoca nas vítimas. Esse grau pode ser comparado ao estresse provocado por perdas, mortes, separação. O senhor está dizendo que o sofrimento seria o mesmo de perda por morte de pessoas queridas ou separação? Sim. Existem várias escalas de magnitude para se avaliar traumas, cuja profundidade pode causar estresse, desequilíbrios, doenças ou alterações psicológicas. O trauma que vem em primeiro lugar é aquele provocado pela morte de um filho, do cônjuge ou de parentes próximos. Em seguida aparecem situações de perda como demissão do emprego, redução do status social, doenças graves, uma cirurgia ou até situações de ganhos como casamento ou nascimento de um filho. Por isso, convém lembrar que toda situação de mudança tende a produzir situações de perda. São situações que colocam a pessoa em estado de alerta. O que quer dizer ? Quer dizer que alguém que faça. por exemplo, uma cirurgia - seja cardíaca ou plástica - vai ter alguma repercussão depois. Mas uma cirurgia plástica é diferente da cardíaca. Refiro-me a situações que elevam o grau de tensão a um ponto em que, dependendo do estado emocional da pessoa e do tamanho do estresse que o agente estressor oferece, pode haver uma ruptura do equilíbrio dinâmico do psiquismo. Sabemos que ninguém é perfeitamente saudável e invulnerável. Todos nós temos nosso limite. Uma pressão muito grande produz ruptura. Aliás, o conceito físico de estresse foi emprestado da Física. O engenheiro está está montando um prédio; a estrutura vai agüentar até o momento em que o peso torna-se maior do que a capacidade de suportar do material usado. O material quebra e dá-se o estresse. Como o senhor percebeu a relação do seqüestro com sensação de morte? Os próprios seqüestrados têm se referido assim. Muitos que já tiveram perda de filho ou de cônjuge, ou situações muito pesadas, dizem que nada se compara à vivência dentro de um cativeiro. Na verdade todos os lances de um seqüestro são extremamente dramáticos. Recentemente, entrevistei uma mulher que viveu uma situação que todos os seres humanos têm pavor de enfrentar. Algo que lembrou aquele filme "Mad Max na Cúpula do Trovão". Ela foi seqüestrada na porta do colégio dos filhos. Dois seqüestradores entraram no carro, que era automático, e a levaram para uma favela. Eles não sabiam lidar com o carro e, como estava chovendo muito, acabaram se atrapalhando e batendo em um outro automóvel na favela. O enorme barulho fez o dono sair para a rua. Ele ficou furioso e veio brigar com a vítima, pois nessa altura os seqüestradores tinham fugido. Ela estava apavorada, não conseguia falar para explicar o que estava acontecendo, só chorava. Outros moradores foram chegando e, sem saber do que se tratava, passaram a se refetir a "essa mulher madame". Começaram a rasgar a roupa dela, se apossar dos seus sapatos, dos seus objetos, foi uma situação horrorosa só vista em filme. Qual era a favela? Ela não sabe precisar. Viveu um pânico extremo: as pessoas tiravam os sapatos, reviravam sua bolsa. E o dono do carro queria tomar satisfações, queria que ela pagasse e ela não conseguia falar o que estava acontecendo. Até que o sujeito aceitou levá-la até a delegacia. No caminho, um jovem que foi junto tentou violentá-la. Perseguição remete às angústias da infância Foi um episódio de pesadelo, daqueles em que a pessoa acorda e diz "graças a Deus, foi pesadelo", e passa o dia inteiro com aquela lembrança angustiante. Esse fato também me lembrou outro filme de terror classe B, " A Volta dos Mortos-Vivos", em que cadáveres recém-saídos do túmulo perseguem o sujeito para comer seu cérebro. Foi uma vivência horrorosa de perseguição, que, guardadas as proporções, remete àquelas vivências angustiantes de infância, em que a criança é motivo de riso e de deboche dos amiguinhos numa situação de exposição pública. O fato é que uma experiência como a dessa mulher faz a pessoa reviver situações de desespero, aflição, pânico e ameaças que teve ao longo da sua vida. A rigor, ela não foi machucada e nem violentada. Perdeu os sapatos, o relógio... Mas o tamanho do seu machucado é enorme ao se ver vulnerável e exposta a um bando de vândalos, sejam os seqüestradores, sejam as pessoas da favela. Levando-se em conta esses problemas, quais são os passos do tratamento? Primeiro, fazemos uma entrevista dirigida com a vítima, em que procuramos tipificar e qualificar seus problemas e ver o grau de comprometimento mental, inclusive com testes psicológicos. Após o período de terapia, novos testes vão avaliar os benefícios do processo terapêutico. Conforme o caso, pode ser que o tratamento em psicoterapia breve não seja suficiente. Esta somente é útil se a vítima estava bem antes do seqüestro e teve um desequilíbrio emocional por conta do fato. Em situações de doenças mentais anteriores ou de situações potenciais de doença, o seqüestro pode agravá-las ou desencadear quadros patológicos. Atendi um rapaz que aparentemente saiu bem de um seqüestro. Mas passou a se sentir - de uma forma incômoda, o que é estranho - um herói que teve superpoderes para negociar com os bandidos. Como se desenvolve o tratamento de psicoterapia? Nas situações mais graves, as pessoas são encaminhadas para tratamento especializado. Na psicoterapia breve, que é a maioria dos casos, nós trabalhamos basicamente sob dois aspectos. Um é a mudança de papel que o paciente está vivendo. Essas pessoas ainda estão vivendo o papel de vítima, continuam vítimas. Nós tentamos mostrar que, ao contrário de vítimas, elas são sobreviventes e que estão, ainda que de forma inconsciente, vivendo como se estivessem sob seqüestro. Por quê isso acontece? É como se ocorresse um curto-circuito na cabeça. O exemplo mais conhecido que se aproxima dessa situação é aquela impressão do déja vu, de que a gente já viu um lugar onde está chegando pela primeira vez. Essa distorção faz com que uma imagem ande mais depressa do que a outra, ou seja, a imagem fotográfica chegue ao cérebro antes do que o reconhecimento. Dai a sensação de já ter estado lá. Esses fenômenos ocorrem porque o estresse sofrido provoca uma desorganização na estrutura vital do funcionamento cerebral. No caso de seqüestro, foi tamanha a pressão, a vivência de despersonalização e de deterioração que a pessoa continua se sentindo dentro do fato. Tanto que, ao responder uma pergunta do teste que faço - "qual é sua chance de ser seqüestrado novamente, numa escala de zero a dez?" - a vítima responde nove, e dirá que outra pessoa qualquer ficará entre cinco e seis. Elas justificam sob a alegação de que os bandidos já conhecem sua identidade. E se houve pagamento de resgate, dizem que os bandidos sabem que possuem dinheiro e que por isso voltarão. Caso tenham sido libertadas pela polícia ou fugido do cativeiro, será este o motivo para serem seqüestradas outra vez. E qual é a demonstração de fragilidade emocional mais patente no pós-seqüestro? É a desconfiança, como já disse, principalmente nos seqüestros de cativeiro. Aliás, todos eles foram encomendados. Há um informante que pode ser um empregado, um vizinho ou alguém do banco onde a vítima tem conta. Temos o caso de um senhor com pouco mais de 50 anos, que juntou R$ 300 mil ao longo da sua vida e que estavam aplicados num banco. Ele foi seqüestrado no dia seguinte em que havia tirado um extrato do banco e os bandidos pediram exatos 300 mil reais de resgate. Alguém sabia, até porque ele não é uma pessoa rica. Ele ficou numa grande angústia: dava o dinheiro que juntou a vida toda para os bandidos? Por outro lado, sua mulher, orientada pela polícia, recusou-se a pagar o resgate. Por fim os bandidos ordenaram que ele ligasse para a mulher e dissesse que seria morto se o dinheiro não aparecesse. Por fim, foi pago menos do que os bandidos haviam pedido e hoje o paciente vive cheio de medos. Seu raciocínio é este: os bandidos sabem que ele tem dinheiro e vão voltar para pegar o resto. Está desorganizado e deprimido. Chora com facilidade. Não é de estranhar que muitas vítimas tenham tomado a decisão drástica de mudar de cidade e até de país. O senhor soube de algum caso desses? Sim. Uma das irmãs seqüestradas pela quadrilha de Andinho. Ela estava inclusive tentando obter um atestado do Hospital das Clínicas sobre seu seqüestro para ganhar status de refugiada, pois isso facilitaria sua entrada nos Estados Unidos. Voltando ao tratamento das vítimas, qual é seu tempo médio de duração? Na verdade, uma terapia de estresse pós-traumático dura cerca de três meses. Mas se o problema não for resolvido nesse período é porque já se estabeleceu um transtorno. Neste caso, são recomendadas terapias mais prolongadas. Qual é a principal característica do trauma pós-seqüestro? É o medo. Tanto no estresse agudo, imediatamente após o incidente, quanto naquele que pode aparecer tempos depois. As características desse medo são a ansiedade, irritabilidade, insônia e depressão. A pessoa vai se recolhendo, passa a não ter habilidade social, não se relaciona mais com as pessoas, desconfia de todos, exibe traços paranóides de perseguição. Todos os pacientes do serviço me dizem que, se alguém olha para eles, imediatamente supõem estar diante de um seqüestrador ou de um mandante. Quais são as seqüelas deixadas pelo tempo de cativeiro? A privação da liberdade pode provocar o desenvolvimento de quadros psiquiátricos como a Síndrome de Ganser, em que a pessoa começa a se passar por louco, adotando comportamentos que leigos consagraram como o da loucura: vestir-se ao contrário, andar de costas, não falar coisa com coisa. Essa privação, que é o principal bem do indivíduo, fere um direito básico. No cativeiro, além da privação, dá-se uma intensa degradação da qualidade de vida da vítima. De repente, têm que fazer necessidades fisiológicas num cantinho de uma caixa, como ocorreu com Washington Olivetto, de um metro por dois. A vítima se sente completamente desmoralizada, despersonalizada. Este é o aspecto mais grave no meu entender, e o foco do meu trabalho com os seqüestrados. Por quê é tão grave? Vou iniciar a resposta com uma pergunta. Qual é a pior coisa que pode acontecer para uma pessoa? É deixar de ser pessoa. Como alguém deixa de ser pessoa? Quando ela morre, pois morta, deixa de ser uma pessoa. No caso de seqüestro, além de viver a sensação de morte, isto é, de sentir-se morrendo, a vítima é tratada como objeto. É ameaçada na integridade física, moral, psicológica. São ameaças que envolvem pessoas queridas. "Se você não pagar, vou mandar matar seu filho." Os relatos das pessoas que nos procuram são dramáticos. Um paciente contou que após se cansar de pedir para ser morto, passava os dias bolando como poderia se matar. Não agüentava mais o calor, as condições de saúde e de higiene, o mau cheiro, a comida horrorosa. Perdeu 20 quilos no cativeiro, não agüentava mais. Como as vítimas descrevem o sentimento de serem alvo de tanta maldade? Houve uma paciente que ficou profundamente deprimida porque não conseguiu convencer o seqüestrador a se entregar e salvar sua vida quando a polícia cercou o cativeiro. O sujeito acabou morto no tiroteio. Como foi isso? Ela estava num barraco de favela com o seqüestrador. Começaram ouvir a gritaria das pessoas e a polícia estourando as portas das casas. Alguém tinha ligado para o disque-denúncia, sem identificar o barraco. FILME DE TERROR Os dois percebiam que a polícia estava chegando perto. Ela tentou convencê-lo a se entregar - parecia um filme de terror. O bandido disse que era fugitivo da penitenciária e preferia morrer a voltar para a cadeia. Ela contou que, de repente, a noite virou dia. Surgiram holofotes enormes sobre ela. Eram da polícia. Ela não sabe se os policiais derrubaram a porta ou o barraco, lembra-se apenas que a noite virou dia e que três policiais pularam sobre ela para protegê-la, enquanto os outros trocavam tiros com o bandido. Ela se sentiu muito culpada por não tê-lo convencido a se entregar. Mas de modo geral as vítimas se sentem perplexas ante a crueldade a que foram submetidas: "Como é que podem fazer isso comigo?" O horror é tão intenso que as vítimas tentam justificar, alegando que os marginais estavam drogados. Quer dizer: não seria uma ação de seres humanos, mas sim efeito das drogas. As vítimas passam a sofrer algum tipo de mania de perseguição? Passam a ter um sentimento de desconfiança em relação às outras pessoas. Já comprovei várias vezes durante o trabalho de atendimento. Quando faço a pergunta - "você tinha mesmo condições de pagar o resgate?" - eles ficam olhando para mim como que dizendo: por quê você quer saber isso; quer saber se tenho mais algum dinheiro? Essa reação é tão acentuada que eu já coloquei a questão para eles. E um deles me disse: " Não, doutor. Eu sei que o senhor não faz parte da quadrilha. Mas é algo instintivo. O primeiro pensamento que vem na cabeça é este: será que ele não faz parte de uma gangue?" Existe diferença de trauma entre o seqüestro prolongado e o relâmpago? Num seqüestro-relâmpago, a forma de subjugar completamente a vítima é praticada na abordagem. A vítima se vê com uma arma enfiada na boca ou em outros orifícios corporais, ameaçada e ofendida. " Você é um v., vou te matar, você não vale nada", costumam gritar os criminosos. Isso leva a uma grande desorganização, mesmo que a pessoa fique apenas uns 40 minutos na mão dos seqüestradores. Em caso de cativeiro prolongado podem surgir outras nuances. A passagem do tempo pode criar um certo vínculo com os seqüestradores, dá tempo para a pessoa ir se preparando, se adaptando para sobreviver. Em todo caso, posso dizer que não há muita variação entre os dois tipos de seqüestro. Uma delas, em alguns casos, é que, no seqüestro prolongado, os bandidos adotam a técnica do bandido bom e do bandido mau, que se revezam no monitoramento do cativeiro. Trata-se de um recurso usado em interrogatórios para facilitar a obtenção de informações. Um se apresenta como bonzinho e o outro como mau para o prisioneiro? Exato. Um agride, xinga, vocifera e o outro interfere: "Não bata nele, não faça isso com ele". O seqüestrado começa a distinguir aquele que o maltrata e quem o trata bem e pode acabar confiando neste último. Uma vítima contou que na quadrilha do famoso Andinho, este fazia o papel de bonzinho. As vítimas de Andinho acabaram tendo simpatia por ele? Em alguns casos houve simpatia por ele. Sua figura era a de uma pessoa cheirosa e atenciosa. Na verdade, as vítimas supõem que fosse Andinho, pois o bandido estava sempre mascarado. Mas a pele parda, o perfil, o corpo magro coincidiam com a descrição que faziam dele. Sempre estava de tênis ou sapatos novos e bonitos. Uma vítima contou que o perfume e os sapatos chamavam a atenção. Qual era o perfume? A pessoa não especificou. Mas o fato de estar perfumado destoava dos outros, que cheiravam a suor. Apesar de mascarado, ele tinha um jeito assim mais delicado, punha a mão no braço da vítima e dizia: " Tudo vai acabar bem, não se preocupe, tudo vai dar certo". Ele passava momentaneamente a segurança de que as vítimas não seriam mortas enquanto ele estivesse ali presente; que iriam ficar muito tempo presas, mas que não seriam mortas. Já o seqüestro-relâmpago, pelas descrições, produz um cenário diferente. É muito nervoso e, geralmente, o atacante é muito agressivo, tornando a iminência de morte muito grande. Mas voltando à resposta da pergunta: a vítima transforma o risco de ser seqüestrada em ameaça concreta; o risco acaba se tornando a certeza. Quem tem dinheiro acaba se cercando de uma proteção extrema. Quem não tem, como no caso de uma professora que atendi, desorganiza ainda mais sua vida. Essa professora, por exemplo, abandonou o trabalho e não consegue mais sair de casa. E como ela vai sair dessa? Vamos voltar à pergunta sobre o tratamento. Nós procuramos desarticular as distorções do pensamento das vítimas. Tentamos mostrar que a pessoa está hiperbolizando o evento/seqüestro. De fato, ele é imenso, mas a pessoa o está tornando muito maior do que foi e está perpetuando-o. Isso não significa que deva ser minimizado. É necessário que a vítima fale sobre o fato pois, à medida em que fala, revive as emoçõe. Sofre e chora. Mas este processo faz parte do tratamento. Também fazemos exercícios de relaxamento, organizamos momentos de conversas e momentos lúdicos com o grupo. O grande momento terapêutico ocorre quando é identificado o verdadeitro trauma que está associado ao trauma do seqüestro. Como isso acontece? A liberdade cerceada e os momentos de tensão, agressão e humilhação que ocorrem num caso de seqüestro remetem a episódios vividos pela vítima na sua infância, quando criança e emocionalmente frágil, ou quando se via perante o pai, professora ou colegas de escola numa situação vexatória e de vulnerabilidade. Por que uma pessoa adulta reage hoje como se tivesse quatro anos de idade? Porque, na verdade, está vivendo no momento um curto-circuito presente/passado; é como se o seu trauma atual ativasse o trauma passado, que ficou no inconsciente. Há uma colagem da vivência atual com a vivência passada. A simples percepção do problema, que pode ser obtida na terapia, faz as duas situações descolarem. Isso já é suficiente para que um problema grave, agravado por um trauma passado, volte a ser apenas grave. José Maria dos Santos


Fonte: Jornal da Tarde


Envie essa notícia para um Amigo


Seu Nome:

Seu E-mail:

Nome do Amigo:

E-mail do Amigo:

Mensagem:




Pesquisar Cursos













     Agenda:      Feiras    /    Cursos Presenciais    /    Eventos                                                                                     Receba o Viaseg News


Área do Anunciante                     Maquinas Industriais   /   Br Domínio Hospedagem de Sites   /