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Profissão - Bombeiro civil fala da experiência durante ação de resgate em Brumadinho - Levar para o resto da vida


25/02/19

 Rodrigo Ramos da Costa Santos ficou quatro dias em município mineiro

 
"Pelo amor de Deus, traz o meu filho. Nem que seja parte dele. Para eu e minha família termos chance de nos despedir". Esse é um dos relatos que o bombeiro civil Rodrigo Ramos da Costa Santos, de 36 anos, "levará para o resto de sua vida". Durante quatro dias, ele integrou uma das equipes de resgate que atuou em Brumadinho, Minas Gerais, após o rompimento de uma barragem da Vale —  até o o fim da tarde desta desta sexta-feira,  um total 115 mortos haviam sido confirmados pelas autoridades, além de outras 248 pessoas desaparecidas. Depois de testemunhar as consequências da tragédia e também o sofrimento das pessoas que recebiam a confirmação da morte de um ente querido ou observar a angústia daqueles que não tinham informações de parentes  um sentimento prevalece: compaixão.
 
— Sinceramente, sinto muita compaixão quando penso nisso tudo. Por isso a vontade de tentar trazer nem que seja alguma parte do corpo para algum parente. Assim, ao menos, a família consegue se reconfortar um pouco e fazer a despedida — disse Rodrigo. 
 
Ele saiu de Resende, no interior do estado do Rio, na noite do último sábado, um dia após o rompimento da barragem. Ele contou que faz parte da ONG Missões Urbanas do Brasil, que têm profissionais de resgate em áreas de difícil acesso — Rodrigo é instrutor técnico de bombeiros civis, na área de resgate.
 
Voluntários encaminhados pela Defesa Civil de Resende, eles chegaram ao município mineiro na manhã de domingo. De acordo com o relato do bombeiro civil, não demorou muito tempo para que os trabalhos de resgate começassem, após receberem as orientações.
 
— A situação estava bem crítica. No próprio domingo,  fomos fazer o trabalho em uma área chamada Parque do Cachoeira, em Brumadinho mesmo. Encontramos restos mortais lá: um pulmão, um coração e partes de tecido. Não dava para identificar de onde era o tecido,  mas era grande. Corpo propriamente dito (inteiro), a gente não conseguiu encontrar — contou ele.
 
Trabalhando na área de resgate há dois anos, ele afirma que nunca viu nada parecido com o que encontrou em Brumadinho : "dessa magnitude, foi a primeira vez". Tinha experiências em situações corriqueiras, como "resgates mais leves", acidentes de trânsito ou localização de pessoas que se perdem em trilhas. 
 
O trabalho em Brumadinho, segundo ele, era cansativo. Mas a vontade de "cumprir a missão" vencia o exaustão. Acordavam cedo, por volta das 6h, e começavam as buscas cerca de uma hora depois. O trabalho só terminava no fim da noite, entre as 21h e 22h. Rodrigo ressaltou que fazia parte do seu trabalho procurar em áreas que os helicópteros não conseguiriam alcançar, no meio da lama.
 
Para isso, acrescentou, as equipes utilizavam roupas apropriadas para o trabalho, "tipo de trajes de mergulhador",  a grosso modo, com os equipamentos de segurança adequados. Isso fazia com que pudessem "deslizar" melhor pelas áreas tomadas pela lama. 
 
— Foram quatro dias de muito trabalho... angustiante. Você ver a destruição do meio ambiente, até animais mortos , sem ter o que fazer nessas situações.  Além do cheiro de decomposição, que é muito forte. — afirmou ele, acrescentar.
 
 Tinha aquele banho ao final, com jatos de água, para tirar o excesso daquele material. Água não faltava para a gente, nem comida. Não pensávamos muito em descansar, mas a gente conseguia, em um momento ou outro, dar uma paradinha. Por exemplo, quando precisávamos nos deslocar de uma área para outra.
 
Ajuda da população
 
Além da atuação dos bombeiros militares de Minas Gerais, "incansáveis nas buscas" e no trabalho em conjunto desempenhado pelos colegas, Rodrigo ressalta a colaboração da população local. Segundo o bombeiro civil, eles ajudavam as equipes com seu conhecimento sobre a região. Além disso, apesar do sofirmento, eram gratos pelo trabalho das equipes.
 
— Uma das histórias que marcou muito foi quando a gente estava indo para o resgate, se preparar para poder entrar). Então, veio um senhor e disse: "pelo amor de Deus, traz o meu filho. Nem que seja parte dele, mas traz o meu filho para eu e minha família nos despedirmos" — disse o bombeiro civil. 
 
— A gente precisa ser forte, colocar a cabeça no lugar, acreditar em Deus e nas pessoas que estão ali nos dando conforto. O maior conforto, aliás, vinha do próprio parente de vítima, acreditando no nosso trabalho. São pontos muito marcantes. Vou levar (tudo isso) para o resto da minha vida — continuou ele, quando lembrou de uma senhora que perdeu parentes não se importou em abraçá-lo, apesar de estar todo sujo de lama. 
 
Rodrigo informou que a equipe irá retornar à Brumadinho nos próximos dias. A informação também consta do portal da prefeitura de Resende. 
 
— A gente retorna com mais vontade. Voltamos com a sensação de missão cumprida, mas não finalizada. Precisamos cumpri-la até o final — concluiu o bombeiro civil.


Fonte: O Globo


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