página inicial   |    quem somos   |    como pesquisar   |    anuncie   |    fale conosco
     Agenda:      Feiras    /    Cursos Presenciais    /    Eventos                                                                                     Receba o Viaseg News
PESQUISA RÁPIDA:
produto ou serviço:


Piratas atacam porto


13/10/02

Como atacam os piratas do século 21
Chegam pelo mar, sobem por uma corda e roubam os navios atracados no cais.
Mas hoje poucos agem assim. Têm medo das lanchas e dos homens bem armados da Polícia Marítima, federal, criada há três anos.
Agora vêm por terra, sobem pela escada normal e usam a criatividade para saquear contêineres.
O risco porto está esmagando o pirata clássico dos mares de Santos. Nas noites escuras, ele e seus homens surgem remando uma catraia.
Encostam em um dos navios atracados no cais do porto e preparam a garatéia, um gancho com várias garras. Quando lançarem a garatéia, com uma corda, para a murada do navio, estarão empurrando o risco porto para cima.
Pela corda, os piratas sobem a bordo. São sempre homens pequenos, franzinos. Por isso mesmo, podem passar pela vigia dos camarotes e entrar neles. Roubam dólares e aparelhos eletrônicos dos tripulantes. Ou, em outras partes do navio, até mesmo instrumentos de navegação. Nos bons e velhos tempos (para eles), nesse momento a tripulação estaria em terra, desfrutando da vida noturna da zona portuária.
Naquela época, não havia contêineres, essas caixas metálicas gigantescas onde são colocadas as cargas. A mercadoria vinha solta. A estiva demorava no mínimo cinco dias para descarregá-la. Hoje, a demora é de no máximo 18 horas. Os navios zarpam logo. Os piratas têm muito menos tempo para agir. E há o risco porto.
Há quatro anos, uma entidade internacional que reúne os armadores classificou oficialmente os portos brasileiros como inseguros (o de Santos, em meados da década, fora considerado o mais perigoso do Atlântico Sul).
Isso aumenta a avaliação de risco para navios e cargas, o que faz disparar os valores do seguro e dos tributos. Como o risco Brasil, na área dos investimentos, têm-se o risco porto na das importações e exportações.
O delegado-chefe da Polícia Federal em Santos, Jaber Saadi, não gosta que se fale em piratas. Para ele, essa histórica confraria de malfeitores não existe mais por aqui. Em 1999, o Ministério da Justiça criou uma força especial para policiar o porto, o Núcleo Especial de Polícia Marítima, Nepom. Equipes de homens bem armados e três lanchas entraram em ação.
Eles patrulham a barra, onde os navios ficam fundeados antes de entrar no cais (e onde, antes, eram presa dos piratas). Vigiam o canal ladeado por 14 quilômetros de cais. Com a reportagem do JT a bordo, acharam suspeita a atitude de quatro homens em um barco. Aproximaram-se, metralhadoras em punho. Os quatro estavam tentando pegar um peixe-boi, que haviam visto.
As estatísticas da Polícia Federal mostram números em queda. Por elas, neste ano, até agora, ocorreram dois roubos (em que há ameaça à vítima) e 20 furtos. Em 1997 os roubos foram 15 e em 1998, 13. Esses números são considerados altos. No entanto, para 1999 registram-se zero roubos (e 19 furtos).
Em outras esferas, considera-se que os números oficiais são subdimensionados. Um comandante de navio pode preferir viajar sem procurar as autoridades para dar queixa de um roubo. As investigações vão retardar a partida e obrigá-lo a continuar pagando as caras despesas de atracação.
As estatísticas, de qualquer forma, melhoraram as avaliações de segurança do porto de Santos. "Saímos do livro negro", diz o delegado Saadi. Mas a referência a piratas ainda o preocupa. "Qualquer boato pode aumentar o risco porto."
Os vigias portuários de Santos dizem que os piratas não foram extintos; apenas inventaram outras formas de agir. Agora, entram nos navios pela escada. Eventualmente, fogem com o produto do saque pelo mar - em uma lancha rápida. O alvo são os contêineres. Eles têm suas portas protegidas por um lacre. Os ladrões rompem os lacres com alicate (entre outros meios) e abrem as portas.
Em outra situação, descobrem que há um contêiner vazio ao lado de um cheio, com as mercadorias que mais visam (as fáceis de vender, como de informática, eletroeletrônicos, perfumes). Arrombam o contêiner cheio e passam as mercadorias para o vazio. Um contêiner vazio pesa de 20 a 30 toneladas. Se receber eletrodomésticos, por exemplo, a diferença não será notada. Ele será desembarcado como vazio - e saqueado em terra.
Em outra variável, as mercadorias são passadas para um contêiner com meia carga e o roteiro se repitirá. Os ladrões não agem a esmo. Um navio leva até 1.500 contêineres. No entanto, os ladrões vão direto aos contêineres onde estão as mercadorias que lhes interessam. Como isso é possível? E como os tripulantes e vigias portuários a bordo não vêem que o navio está sendo saqueado?
No primeiro caso, há conivência de pessoas que conhecem o conteúdo dos contêineres e a posição destes a bordo. Pode ser gente da tripulação. "As tripulações de terceiro e quarto mundos, filipinos, indonésios, recebem salários muito baixos e são facilmente corrompidas", diz o secretário-geral do sindicato dos vigias portuários de Santos, José Cavalcanti.
Ele sustenta que os vigias não têm como perceber que o roubo está ocorrendo.
"O ideal seria os operadores portuários contratarem três vigias, mas a maioria só contrata um, o do portaló." O portaló é o ponto de entrada no navio. Fica no fim da escada de acesso. "Quem trabalha ali não percebe o que ocorre no resto do navio."
Também isenta a tripulação em geral. "Nos navios modernos a tripulação é reduzida e tem muito trabalho, como cuidar dos cabos de amarração."
Perfumes e bebidas
Isso tudo abre espaço para tipos como Marcelinho Pirata, Pelado, e seu bando. Em novembro, eles passaram pelos vigilantes de um terminal, no lado do cais que fica no Guarujá, e entraram em um navio. Queriam perfumes e bebidas alcoólicas. Por ser carga inflamável, os contêineres que os continham estavam no convés - portanto, mais à mão. O bando agiu rapidamente. Feito o saque, desceu pela murada do lado do mar e fugiu em uma lancha voadeira.
O delegado titular do Guarujá, Milson Calves, diz que teve "um mês de trabalho" para chegar aos piratas e à parte das mercadorias saqueadas.
Calves começou a agir depois de receber informações sobre a atuação de Marcelinho Pirata e Pelado, que moram e foram presos no município. Um vigilante do terminal confessou ter recebido R$ 500 para deixar o bando passar.


Fonte: Jornal da Tarde


Envie essa notícia para um Amigo


Seu Nome:

Seu E-mail:

Nome do Amigo:

E-mail do Amigo:

Mensagem:




Pesquisar Cursos













     Agenda:      Feiras    /    Cursos Presenciais    /    Eventos                                                                                     Receba o Viaseg News


Área do Anunciante                     Maquinas Industriais   /   Br Domínio Hospedagem de Sites   /