Segurança Empresarial - Crises & Emergências

Carlos Paiva(*)
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 "Na crise, não existe liderança compartilhada.
Quando o barco está afundando, o capitão
não pode convocar uma reunião
para ouvir as pessoas." 
Peter Drucker

                    Antecipar-se para proteger e garantir, deve ser o indicativo das ações de segurança empresarial no complexo ambiente estrutural em que vivemos. O dia-a-dia da atividade de proteção para pessoas, bens e instalações, não pode e não deve servir de embargo a necessidade cada vez mais presente de estruturar procedimentos que estejam adequados ao enfrentamento, controle e reversão de situações que por sua natureza tragam riscos a pessoas, bens e instalações da organização.

                                        Situações de emergência , não avisam, não fazem parte do contexto normal de funcionamento de qualquer atividade econômica. Assim, devem ter tratativa diferenciada, e exigem para seu planejamento habilidades e competências específicas de profissionais com visão prospectiva, que lhes permita avaliar antecipadamente problemas que podem surgir, ou seja, exercitar previsões sobre  conteúdos ainda não efetivados. Cada organização tem sua própria realidade e sua "cultura ocupacional", enfeixando fatores de gestão empresarial  e comportamental das pessoas que ali trabalham. Dessa forma, não há como estabelecer "planos", sem que antes, se faça um estudo sobre a conceituação que as pessoas tem sobre a segurança e suas implicações. É como se fossemos usar um instrumento frequentemente aplicado pela área de Recursos Humanos,  denominado de "pesquisa de clima", e que visa obter um "mapa" de como as pessoas enxergam sua organização, seu trabalho e o  seu relacionamento entre as estruturas formais e informais.

                                        Uma recente situação ocorrida durante a greve dos bancários pode sinalizar a razão e importância da previsão/prevenção. Alguns postos de caixas eletrônicos tiveram seus teclados "colados", impedindo o seu acionamento pelos clientes. Certamente a perspectiva de segurança, estava centrada no esquema de agências, ignorando outras ações que poderiam ocorrer. É exatamente isso que ocorre na maioria das vezes em situações de crise e/ou emergências. Fixamos o problema num plano, sem ter a visão ampliada de desdobramentos ou novas facetas...

Riscos são variados. A prevenção consiste em estudar sua ocorrência e desdobramentos.


                         Não é a toa, que é conhecida a afirmativa de que  " a história  sempre se repete, como farsa ou tragédia...". Numa ocasião, em acidente ambiental ocorrido numa noite de sábado, num feriado prolongado, o responsável pelo gerenciamento da emergência, irritava-se, pois ao acionar as pessoas que deveriam dar suporte as ações corretivas emergenciais, descobria que os celulares atendiam sempre em "caixa postal" ou " fora de área ou desligado", o pior é que seu "plano de acionamento emergencial" estava calcado em localizações via celular ou residência, local que as pessoas não estavam ! A amplitude do acidente deu-se em função da mídia, que não obtinha informações adequadas, fazendo com que o poder público fosse mobilizado e provocando sérios problemas para a empresa em termos de imagem, por medidas administrativas, legais e mais a frente por demandas judiciais.

                                                     O processo de segurança, exige uma integração vertical e horizontal na organização, já que sua função, não é buscar culpados, mas impedir que fatos indesejáveis ocorram. Como conceito, isso deve nortear o trabalho para a prevenção, "focando" a prevenção, a reação e a contenção da crise e/ou emergência. Isso não é conseguido por "planos" que nunca foram simulados ou testados ou que foram produzidos apenas para atendimento a normas ou exigências internas e/ou externas. É como se fossemos contar com uma brigada de incêndio, cujos componentes em sua maioria, já foram desligados da empresa ou estão afastados do trabalho...

                                                     A percepção da emergência ou crise, muitas vezes escapa na observação centrada "na minha organização"(!), esquecendo-se de riscos decorrentes da vizinhança ou extramuros que podem comprometer a segurança ou a continuidade do negócio. Prova disso é um incêndio ocorrido numa edificação comercial do RJ, onde prédios vizinhos foram atingidos  ficando interditados por mais de cinco dias, mas que nunca foram considerados como de possível ocorrência, gerando danos financeiros de elevada monta, e num dos atingidos a perda total de seus sistemas informatizados.                                                     


(Escape no Metrô de  NY - Blecaute 2003)

                                 Emergências podem configurar-se desde a supressão do fornecimento de serviços públicos, passando por  ameaça de bomba e chegando a desabamentos, inundações ou incêndios, incluindo dezenas de situações, algumas até criminosas, que possam por em risco a continuidade operacional e/ou representar risco imediato a pessoas ,bens ou instalações. Como se vê, não é possível improvisações quando se trata deste assunto. O agir reativo, sem planificação antecipada, quase sempre amplia o problema, e o leva a situações de descontrole pessoal e coletivo com evidentes danos para a organização.  

                                As novas facetas de risco em segurança que variam de ações  do narco e cybercrime, emergências ambientais e operacionais, passando pelo terrorismo e violência urbana, sinalizam para a adoção de medidas preventivas, através da planificação estruturada para emergências e crises, integrando todos os canais da organização, neutralizando, contendo e até revertendo situações que atentem contra pessoas, bens e instalações e/ou que venham a comprometer a continuidade operacional da atividade ou negócio.

                    

Carlos Paiva
Presidente do Comitê de Segurança Empresarial da 
Agencia Brasil de
Segurança - ABS
E-mail:
paiva@pointtrade.com