Qualidade , Meio Ambiente & Tecnologia da Informação - Segurança empresarial e certificação.

Carlos Paiva (*)
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        " A gestão empresarial atua hoje preponderantemente através de processos , estruturados em critérios , padrões e instrumentos calcados na normalização e conformidade, visando assegurar a clientes e usuários oferta segura e adequada de bens, produtos e serviços. Essa oferta, num cenário de alta competitividade e num ambiente de economia transnacional, envolve custo final do produto e/ou diferenciais quanto a oferta que permitam ao consumidor ou usuário, obter vantagens competitivas, ou seja, dentre várias ofertas escolher aquela que atende melhor ao seu perfil de aquisição e/ou utilização."

                    Esse conceito de conformidade, assume cada vez mais importância nos negócios. Técnicas produtivas foram alteradas nas duas últimas décadas. Os conceitos de estocamento para produção tiveram fortes alterações em razão dos custos diretos e indiretos de estoque, optando-se por novas formas de produção, onde o insumo é manipulado, a medida que já exista encomenda para ser atendida.

                    Esses movimentos que alteraram a produção, trazem maior responsabilidade para os fornecedores, que se obrigam para manter seus clientes ou usuários, a assumir enorme risco quanto a efetiva entrega do produto, bem ou serviço nos prazos estipulados e nas formas contratadas, razão pela qual, a demanda por novos instrumentos de logística e de suporte ao efetivo andamento da produção, com controles cada vez mais sofisticados fazem o mundo presente dos negócios.

                    Ocorre que por maior que seja o planejamento empresarial e as novas tecnologias, tais processos passam por um conjunto de riscos permanentes, já que o binômio homem-máquina, nem sempre, interage e atua da forma que se espera. As organizações tornam-se cada vez mais complexas e intradependentes, com mudanças e ajustes constantes visando atender as exigências de um mercado que escapa ao senso e as previsões, forçando adaptações e intensa velocidade no processo decisório.

                    É nesse ponto que a segurança empresarial tem significativo destaque no que tange à certificações e gestão empresarial. Em todo o ambiente de certificação, é curial perceber a noção de "assegurar" ( no sentido axiológico de manter) compromissos, produção, logística, informações, instalações e todo o conjunto de meios que venham a gerar a existência e o pleno funcionamento das condições produtivas, e isso só ocorre quando as condições voltadas à prevenção que consolidam planejamento/ações se fazem presentes, aliadas a uma perspectiva de antecipação de riscos, e do trabalho que isso exige ,visando a continuidade do negócio e a proteção de ativos humanos e materiais da organização.

                    Assim é que nas certificações de qualidade, meio ambiente e TI, existe uma clara preocupação com a temática "segurança" voltada para os processos de antecipação, controle e ações de emergência ( no que tange à qualidade, o "controle de projeto" na ISO-9001, 4.4 , chama atenção para saúde e segurança - vale registrar que a preocupação centrada na segurança ocupacional, também possui referencial para instalações, já que o estudo envolve " local de trabalho" ).

                    As certificações de meio ambiente e tecnologia da informação ( ISO 14000 e 17799) estão fortemente estruturadas em função de "contingências", contendo formas nítidas de planejamento e operações de segurança, que envolvem emergências, sendo assim, nada mais adequado que o envolvimento direto da segurança empresarial com os processos de certificação. Vale ainda assinalar, que as precitadas Diretrizes , são temporalmente auditadas, já que sua validade, como não poderia deixar de ser, é periódica, ou seja , não basta ter o certificado, é preciso verificar se está "válido" !

                    Isso significa que a segurança empresarial tem papel destacado no processo de certificação, cabendo-lhe significativa responsabilidade tanto a nível de planejamento , como a nível de execução/operação, seja pela auditagem constante das situações de risco que comprometam o pleno desenvolvimento das etapas e processos, seja pela avaliação antecipada das situações de emergência, e pelos adequados instrumentos de enfrentamento quando em situações de crise e/ou emergência. As ocorrências de crise/emergência estão vinculadas a todas as atividades empresariais, variando apenas de intensidade ou do potencial de risco, e das medidas inerentes a sua prevenção, contenção, neutralização ou extinção. Ao tempo em que a sociedade beneficia-se de novas tecnologias e produtos postos à sua disposição, novos riscos e ameaças surgem ou são ampliados, sendo um desafio cada vez mais presente para as atividades econômicas.

                    Destaque-se aqui , a responsabilidade pessoal do profissional de segurança empresarial, quanto ao planejamento e desenvolvimento dos conteúdos ligados a sua esfera de competência nos projetos de certificação, em especial, na escala referentes a situações de emergência e a continuidade dos negócios. Vale aqui assinalar em destaque, as responsabilidades inerentes ao meio ambiente e suas implicações legais na esfera civil e criminal, e ainda aquelas que surgidas mais recentemente, dizem respeito a tecnologia da informação e suas implicações internas e externas para a empresa.

(*) Carlos Paiva - Presidente do Comitê de Segurança Empresarial da Agência Brasil de Segurança - ABS -

E-mail: paiva@pointtrade.com