Convivendo com a Insegurança
Roberto da Luz ![]()
As principais revistas semanais, os jornais diários, o noticiário televisivo concedem seus maiores espaços aquela que tornou-se a maior preocupação atual , a insegurança.
Desnecessário elencar os vários episódios recentes que tornaram-se tema de conversas comuns nos escritórios, fábricas, no almoço dos executivos, nos momentos de lazer e até mesmo em seus lares.
Embora alguns governantes tenham procurado deslocar o enfoque para creditarem o surto de criminalidade a um possível aumento da violência, certo é, que tal expediente apenas procura repartir entre todos uma responsabilidade da qual são eles detentores.
Descrentes, em sua maioria, da efetiva ação dos órgãos responsáveis pela Segurança Pública, procuram aqueles, que mercê de suas atividades estariam na mira de criminosos, prover a sua tranqüilidade com o emprego de profissionais da área de proteção e segurança pessoal privada.
Dados recentes dão conta de que no Estado de São Paulo ocorreu um aumento do efetivo nas empresas do ramo da ordem de 120%, no último semestre.
Estudos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) datados da década de 90, davam conta de que o principal obstáculo ao crescimento dos países latino americanos era a criminalidade.
De acordo com a revista Exame (6 fevereiro 2002) estima-se que a violência represente gastos anuais equivalentes a algo em torno de 10% do PIB brasileiro.
A publicação inglesa The Economist colocou recentemente os níveis de criminalidade de São Paulo em patamares superiores aos de Bogotá , no que se refere a seqüestro e homicídios.
Todos estes fatores agregam-se aos problemas causados às empresas globais cujos executivos das matrizes manifestam justo temor quando para aqui deslocados.
Como vimos, a tendência manifestada é a procura de proteção individual ou coletiva( no caso de organizações e empresas) provida por profissionais de segurança ou por equipamentos que tendam a minimizar a possibilidade de êxito de atividades criminosas.
Noticiário recente dá conta, porém, de que a utilização pura e simples de certos meios e equipamentos não se constituem em obstáculo para uma ação bem planejada e operacionalmente executada com perfeição.
Necessário se torna depreender, por exemplo, que um veículo blindado não é , por si só, uma garantia de tranqüilidade. Há que conhecer todas as suas possibilidades e até suas eventuais limitações além de possuir, seu condutor, curso específico .
Inúmeros meios de proteção e ofendículas tais como cercas, muros, áreas eletrificadas, circuitos integrados e um sem número de modernos dispositivos estão á disposição dos interessados em proteger-se, mas necessário é que tais recursos sejam corretamente empregados de modo a produzirem os resultados dos mesmos esperados.
O profissional especializado tem aí o seu momento, indicando o melhor emprego e até mesmo dimensionando corretamente o aparato de segurança a ser utilizado.
Vale lembrar que o número de empresas que passaram a operar com áreas próprias de segurança de risco que cobrem não somente a empresa como um todo, mas zelam, inclusive, pela segurança de seus funcionários e executivos, vem aumentando significativamente.
Nos dias em que vivemos, um plano de segurança corretamente elaborado, com base em coleta de dados e análises contínuas, provido de equipamentos, meios auxiliares e armamento modernos e adequados e, executado por profissionais capazes, afigura-se como a maneira correta de opor-se aos atos criminosos diariamente praticados.
Afinal, os criminosos também devem correr riscos...
Roberto da Luz
é Consultor em Segurança, Analista de Informações, Delegado de Polícia no Rio de Janeiro - Apos., Instrutor da Academia de Polícia, Ex - Diretor de Operações da Guarda Municipal do Rio de Janeiro.