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É Domingo, você passeia com a sua família. O dia está tranqüilo, as ruas vazias. De repente você se depara com uma pessoa caída no chão.
Qual seu primeiro sentimento em relação à sua situação? De que forma você reage? Socorre a vítima ou não? Que procedimentos deve adotar nesse socorro ?
A situação acima é hipotética, seu objetivo e fazer uma reflexão com base em um fato que acontece e pode se realizar novamente.
Você já parou para pensar seriamente sobre quem apareceria primeiro para atendê-lo, em caso de um mal súbito ou de um acidente ?
Será que existe sempre uma equipe de profissionais altamente qualificados e especializados, providos de uma "ambulância UTI" aparelhada para acompanhar seus passos ?
A realidade tem mostrado que a primeira pessoa a aparecer não costuma Ter nenhuma formação em medicina e nem mesmo informações sobre o que fazer em um atendimento de emergência.
Considerando-se as estatísticas que mostram que a maioria das mortes resulta de doenças do aparelho cardiovascular, por exemplo infarto do miocárdio, ou de causas externas - como ferimentos, queimaduras, intoxicações - fica evidente que a maior parte das mortes ocorre por problemas inesperados e, muitas vezes com seqüelas e/ou agravamento da situação devido a ações inadequadas adotadas pela pessoa despreparada que inicia o pronto atendimento.
Seja em grande centros urbanos, onde a violência ou os acidentes coletivos são responsáveis por um grande número de acidentes, seja no interior, onde é freqüente a ocorrência de acidentes com animais peçonhentos, todos estamos sujeitos a, repentinamente, ter que ajudar ou receber este auxílio, para oferecer cuidados adequados às vítimas, transportá-las corretamente e informar aos profissionais de saúde os dados pertinentes ao fato para seja dado prosseguimento ao atendimento.
As situações de emergência surgem na vida das pessoas com certa freqüência, exigindo atuação rápida, com resposta imediata. No entanto, quando elas surgem, as reações são as mais diversas. Algumas pessoas não se manifestam porque não sabem mesmo o que fazer, enquanto outras, independentemente de saber ou não o que deve ser feito, permanecem estáticas, paralisadas pelo pânico ou pelo medo, incapazes de tomar qualquer atitude. Outras, ainda, reagem corajosamente e enfrentam a situação, mesmo desconhecendo a melhor forma de fazê-lo e, muitas vezes, provocam novas lesões no acidentado.
Tanto as atitudes corajosas quanto as de medo e de tensão constituem reações humanas naturais e compreensíveis. Entretanto é importante saber controla-las para conseguir agir adequadamente em emergências. Mas como conseguir isso ?
A resposta advém da capacitação por meio de treinamento e reconhecer suas limitações. É muito importante que o socorrista tenha iniciativa e certa liderança ao atuar junto a vítima. Caso o socorrista tenha conhecimentos, mas não se sente apto para fazê-lo, o acionamento de socorro médico (no estado de São Paulo, por exemplo pode-se acionar o Resgate - serviço do Corpo de Bombeiros pelo telefone 193 ou pode-se acionar o sistema de ambulâncias da Prefeitura pelo telefone 192) já será de grande valia pois a rapidez do acionamento e da chegada do apoio pode significar a vida ou a morte para a vítima.
O atendimento deve estar baseado numa rápida avaliação denominada avaliação primária.
A avaliação primária vai verificar os seguintes aspectos :
- Consciência;
- Respiração;
- Circulação (batimento cardíaco).
A consciência é verificada pelos seguintes itens :
- Abertura ocular;
- Resposta verbal (diálogo do socorrista com o acidentado);
- Resposta motora (segure a vítima firmemente pelos ombros e a chame 03 vezes).
Em relação ao quesito respiração, deve-se verificar primeiro, se as vias aéreas estão liberadas ou obstruídas ?
Deve-se liberar as vias áreas com a manobra tríplice (com uma mão no queixo e a outra na testa da vítima traga a cabeça para trás)
Na seqüência, aproxime o ouvido do rosto do socorrido e utilize três sentidos para checar se ele está respirando :
- VISÃO - tórax se movimenta ?;
- AUDIÇÃO - você ouve a respiração ?;
- TATO - você sente a respiração na sua pele?;
Se a vítima respira, está tudo bem! Vamos passar para o item da circulação, caso contrário, verifique se as vias aéreas não estão obstruídas.
Feche o nariz da vítima e insufle ar na boca da vítima (se for uma pessoa estranha existe uma máscara (adulta e infantil) que não permite a troca de secreções entre o socorrido e o socorrista, para evitar contágio por doenças como AIDS, hepatite, etc), caso o tórax se movimente as vias não estão obstruídas, caso não haja movimento é necessário desobstruir as vias aéreas.
Tente visualizar o objeto, abrindo a boca da vítima, caso não consiga, coloque a palma da mão sobre a parte superior do abdome (entre o umbigo e o tórax) fazendo um movimento para cima (como se fosse na diagonal), execute este movimento dez vezes e verifique se as vias foram desobstruídas. Você deve continuar fazendo isto ate liberar as vias áreas.
Caso as vias aéreas estejam liberadas e a vítima não esteja respirando isto é denominado de parada respiratória.
A circulação deve ser verificada por meio do pulso da carótida (pescoço), radial (pulso) ou epical (tórax) da vítima.
Caso a vítima esteja sem pulso isto é denominado parada cardíaca.
No caso de ser somente uma parada respiratório, deve-se fazer insuflação de ar na seguinte freqüência :
- Adulto - a cada 05 segundos uma insuflação;
- Criança - a cada 04 segundos uma insuflação;
- Bebe - a cada 03 segundos uma insuflação (ar contido na boca somente para evitar uma lesão no tórax do bebe, pois a caixa toráxica do adulto é bem maior que a do bebe).
Verifique o movimento do tórax para verificar a eficiência do trabalho.
No caso de ser uma parada respiratória e cardíaca é necessário fazer uma reanimação cárdio-pulmonar (RCP), antigamente denominada ressuscitarão cárdio-pulmonar, acreditava-se que a vítima estava morta e era ressuscitada, quando na verdade somente o pulmão e o coração estavam parados, mas havia atividade cerebral. Este estado é denominado morte clínica. Somente quando o cérebro parar teremos a morte biológica, aí nada mais resta a ser feito. Entretanto quando o pulmão e o coração param, a atividade cerebral se mantém por volta de 04 a 06 minutos, por isso a importância da agilidade do pronto atendimento (RCP, transporte para o pronto-socorro, etc). Para entender este fato basta lembramos da situação de uma pessoa que está sendo mantida viva com pulmão e coração mecânicos, dentro de um hospital, pois o cérebro mantém a sua atividade.
Para fazer a RCP, posicione a palma da mão dois dedos acima da parte inferior do osso externo (centro do tórax), mantenha os dedos entrelaçados para evitar que você pressione uma costela indevidamente e a frature.
Para o adulto se utilizam as duas mãos, para uma criança utilize somente uma mão e para o bebe se utilizam dois dedos para a massagem cardíaca.
Com um socorrista, são feitas 15 compressões para cada 02 insuflações e com dois socorristas 05 compressões para 01 insuflação.
Após o início da RCP está só deve ser interrompida quando da chegada ao pronto-socorro, existem exemplos reais que demoraram uma hora ou mais para chegarem ao PS e após a intervenção médica a pessoa estava viva, como já comentamos, após a parada respiratória e cardíaca, só restam cerca de 06 minutos de atividade cerebral (o órgão mais nobre do corpo humano).
Se houver sangramento, não toque na pessoa, a menos que você esteja usando equipamento de proteção pessoal, como luvas, óculos, etc. Caso a vítima esteja consciente não a deixe se mover e enrole uma toalha em torno do seu pescoço, até prova em contrário, existe a possibilidade e a suspeita de lesão da coluna cervical (pode causar tetraplegia, perda de movimentos do pescoço para baixo).
As fraturas geralmente são identificadas por dores localizadas, deformidade no local (vermelhidão e inchaço). Nestes casos deve-se imobilizar o local fraturado, sem tentar colocar o osso no lugar. A tala pode ser improvisada com um jornal enrolado, um pedaço de papelão ou de madeira ou outro material similar. As amarras podem ser feitas com cardaços ou pedaços de uma camiseta rasgada, por exemplo.
Queimaduras nunca devem ser tratadas com pasta de dente borra de café, açúcar ou crendices do gênero. Nem tampouco devem ser retirados pedaços de roupas (a maioria da roupas que utilizamos são de composição sintética, altamente inflamável), deve-se usar uma tesoura e recortar os pedaços de tecido da queimadura, esta deve ser coberta com um plástico limpo e a vítima encaminhada ao PS mais próximo.
Se a pessoa estiver com as roupas em chamas, cubra-a com um cobertor ou use um extintor sobre ela.
Dores intensas têm de ser analisadas de acordo com o histórico da pessoa, sofre de alguma doença ou se passou por um acidente traumático. O melhor é encaminha-la para o PS.
Se você for socorrer um portador de epilepsia, não tente segurá-lo, nem colocar a mão em sua boca, em razão dos espasmos musculares provocados pela doença, pois a tendência é de que ele trave os dentes, o que pode lesionar sua mão. Apenas apoie sua cabeça e afaste objetos que possam machucá-lo.
No caso de choque elétrico em via pública, afaste a vítima com um pedaço de madeira ou borracha (materiais neutros) e acione o concessionário local. Se for acidente doméstico, desligue a energia elétrica pela chave-geral e leve a pessoa ao PS mais próximo.
Em acidentes com amputação de parte de corpo, a hemorragia deve ser estancada por meio de tamponamento ou pressão no local. Coloque o pedaço decepado em um saco ou balde limpo com gelo, encaminhando isto e a vítima o PS, há a possibilidade de reimplante.
Ferimentos nos olhos ou faces com objetos empalados não devem ser retirados, pois pode haver uma hemorragia ou um agravamento da situação, só o médico está habilitado para fazer isto.
Em caso de intoxicação, não induza a vitima ao óbito e nem a faça beber leite. Vá direto ao PS mais próximo e se for possível leve o produto ou o frasco para auxiliar no tratamento médico.
Artigo publicado no Jornal da Segurança - www.jseg.net
Marcy Jose de Campos Verde, CPP - É consultor sênior em segurança empresarial, palestrante e diretor da MRM. - Website - www.marcy.com.br E-mail - falecom@marcy.com.br