Segurança do Patrimônio –  Percepções para a prevenção

Carlos Paiva(*)
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“ Segurança é Prevenção ! Prevenção é Segurança... “
(Francisco da Gama Lima Neto –Fundador
da Agent’s –Agencia de Segurança-) 

                                                     A Segurança de pessoas, bens e instalações nas organizações, é uma atividade complexa que insere-se num “processo”, com todas as suas nuances e implicações decorrentes ( avaliação, implantação, execução, correção, auditoria). Este entendimento deve levar seus operadores a repensar os modelos de gestão que se aplicam ao setor, envolvido por aspectos internos e externos que influem e atuam sobre a organização, entendendo-se que a organização está inserida num ambiente permeado por riscos e ameaças criminosas diversas, que variam de fraudes a seqüestros  contra empresários.

                                                     A segurança não se esgota em sí mesmo. Ela necessita de uma visão prospectiva e dinâmica com o estudo acurado e permanente das situações ambientais internas e externas que por sua natureza possam vir a causar riscos à empresa. Esse trabalho deve ser complementado com os adequados “planos de segurança” que visam a prevenção e/ou reação, previamente acordados e testados visando sua adequação aos interesses da organização. A segurança empresarial não pode ter uma visão estreita limitada aos problemas imediatos ou já constatados, mas sim estudar os meios de amplia-la para a satisfação de suas necessidades e atendimento as expectativas desejadas.

                                                     A integração externa também é um meio de ampliar a segurança do patrimônio nas organizações. Exemplo típico é o transporte de cargas, onde a simples reunião de empresas poderia gerar um sistema de controle de vias perigosas, e obter o domínio de uma série de vias de forma conjunta, agregando recursos individuais e obtendo um volume de meios ampliados, resultando em maior efetividade. A segurança física e eletrônica feita em padrões individuais torna-se cara, e os processos de investigação e mapeamento de riscos são ignorados gerando que o segmento tenha de cada vez mais aumentar seus custos e sofrer concorrência predatória. O que se quer afirmar aqui é que a prevenção entendida como proposta proativa, é relegada a segundo plano, trabalhando-se com a segurança nos modelos mais jurássicos que usam e abusam dos meios já dominados pela criminalidade, que não perde tempo em avançar em seus meios de ação, servindo-se da ousadia e aproveitando-se da leniência com que se move a segurança.

                                                    A criminalidade que nos anos 90 avançou em proporções inimagináveis, não encontrou freio as suas ações, já que tanto no ambiente público como no privado, sempre beneficiou-se da demora com que tinha resposta a suas investidas. De outro lado, o terrorismo esquecido na década de oitenta ( IRA, Setembro Negro, Brigadas Vermelhas, Al Fatah, Tupamaros, Sendero Luminoso etc.), fez com que a globalização e os novos cenários econômicos não dessem a merecida visão ao tema, perdendo-se inclusive a observação quanto as suas novas nuances e formas operacionais e estruturais. A idéia do aumento de “vigilância física” para evitar riscos, suprimiu as formas de investigação e inteligência que haviam sido o referencial para a derrocada da maioria desses grupos. Daí perceber-se hoje a união entre grupos criminosos e terroristas, que somam suas estruturas para a derrocada social, sendo válido recordar um caso típico no Brasil, que foi a criação da “Falange Vermelha” a partir dos ensinamentos trazidos por presos políticos na Ilha Grande ( Presídio do RJ) aos criminosos comuns, orientando-os para a organização e politização estrutural, criando então a ideologia criminosa contra o poder, gerando que nos dias atuais governos não saibam como enfrentar a criminalidade, que se expande e adota táticas terroristas já exaustivamente mencionadas no Manual de Guerrilha Urbana escrito por Carlos Mariguella.

                                                     Esse ciclo criminal expande-se nas cidades e no interior, já que estruturas de controle social são insuficientes para barrar seu crescimento, que se faz num caldo de descontrole, corrupção, impunidade e medo, este último que leva o inconsciente coletivo a frustar qualquer tentativa de reação ao avanço criminoso, hesitando até em denunciar ações criminosas.

                                                       A criminalidade não vai recuar, ao contrário, ela cada vez se organiza mais e busca novas “pontas de negócio” que chegam a pirataria, a contrafação de produtos, a economia informal , a um aumento nas fraudes e em toda a sorte de atividades onde o “ganhar fácil” substitua a honestidade, variando apenas na forma violenta ou não de atingir seu objetivo. Com a  atual crise política a criminalidade tem o “reforço moral” para suas ações, já que entra em cena um novo ingrediente que é o “exemplo” oriundo de figuras públicas, o  que passa então a “justificar” a expropriação criminosa. Assim para que as empresas possam proteger seus ativos, é necessário que exista uma percepção ambiental quanto aos riscos, visando seu estudo e monitoramento, com a transformação das ameaças em meios de prevenção, controle e reação, fazendo com que os riscos sejam minorados ou extintos para aquela organização, mantendo-os extramuros. Isso impõe novos investimentos em segurança ( em especial em recursos e meios de segurança física e eletrônica, treinamento ampliado para dirigentes, gerentes, empregados e prestadores de serviço) e uma participação integral de toda a empresa em segurança, que envolve desde os órgãos dirigentes da empresa, até os quadros funcionais mais modestos, devendo este “envolvimento” ser real, com a participação efetiva em medidas e processos que elevem as condições de segurança empresarial.

                                                       A gestão da segurança do patrimônio , que na década de 70 estava restrita a sistema de vigilância, enfrenta hoje a “globalização do crime”, que se espraia em diversos modelos para ataque contra as organizações, devendo ser enfrentada não apenas com “tecnologia” , mas com “inteligência de segurança”, onde o mapeamento dos riscos, a prática de investigações e o estudo do “modus-operandi” criminoso são prioridades visando evitar ou restringir os riscos contra pessoas, bens e instalações da organização.

SEGURANÇA DO PATRIMÔNIO

Carlos Paiva
Presidente do Comitê de Segurança Empresarial da 
Agencia Brasil de
Segurança - ABS
E-mail:
paiva@pointtrade.com