Atuação da Segurança Empresarial em Greves

Carlos Paiva (*)
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 "Nunca confie na probabilidade do inimigo não estar vindo,
 mas dependa de sua própria prontidão para o reconhecer. 
 Não espere que o inimigo não ataque, mas dependa de estar em 
 uma posição que não possa ser atacada."

                                                              (Sun Tzu  - in " A Arte da Guerra" )


                    

A nova conformação da relação capital-trabalho no contexto da economia, num ambiente globalizado, apresenta características personalíssimas que devem ser apropriadas pela segurança empresarial como meio de informações estratégicas visando adequar táticas operativas em situações de greve na empresa. O novo perfil econômico-empresarial, que visa adequar-se a uma economia de caráter mundial em concorrência acirrada, busca adaptar-se com novos modelos de uso de mão-de-obra aliados a novas tecnologias, perseguindo a redução de custos que lhes permita enfrentamento do mercado internacional.

                     No Brasil, a ocorrência de greves nas empresas e a intervenção da segurança empresarial, apresentou seu "pico" na década de 80, com a eclosão de um novo modelo de sindicalismo que na época, chegava a optar por modelos de ação mais acirrados, tal como podemos exemplificar com a nunca esquecida " greve vaca brava", que consistia na ocupação de fábricas, danificação de materiais e equipamentos e até como ocorreu, torturas contra empregados no refeitório de uma montadora de automóveis em SP. Nessa fábrica, a retomada por forças policiais foi demorada e preocupante já que os "grevistas", haviam preparado material explosivo e incendiário para enfrentar as forças policiais..

                    Modelos e tipos de greves das mais variadas foram à época exercitados: "Tartaruga" , " Pipoca" , "Padrão" , " Ocupação", algumas com maior ou menor intensidade e com diferenças entre os locais onde eram implantadas. O sistema de relações do trabalho via-se as voltas com tamanha confusão, já que muitas vezes, tinham de negociar com quem não conheciam, e com nuances especiais, já que quase sempre sequer podiam entrar na empresa para buscar documentos ! As empresas viam-se despreparadas para enfrentar estruturas articuladas em formulação de combates urbanos, usando táticas de guerrilha e sabotagem e intensa pressão psicológica contra o ambiente empresarial.


Exemplo disso, foram empresas que por pouco, não ficaram com seus alto-fornos para sempre danificados pela ocupação da área fabril, sem possibilidade de manutenção e controle de seus bens. Numa delas, a segurança empresarial foi a solução do problema. Recrutaram em outro Estado operadores industriais que foram "desembarcados" de helicópteros dentro das instalações, enquanto os grevistas permaneciam com um piquete na porta da empresa, não permitindo que ninguém entrasse. O fato deu por encerrado em menos de uma hora após a neutralização do sistema de "bloqueio" do movimento e trouxe tranqüilidade  a empresa, pela não perda de seu parque industrial, e pelo natural "esvaziamento" de uma ação que buscava causar graves danos a economia interna da empresa. Mas essa atividade só teve um resultado positivo, pelo trabalho preventivo, em função de um "comitê de greve" que montado fisicamente a quilômetros da empresa, tinha "visão" e "audição" eletrônica do local, e reunia os setores  de RH, Jurídico, Direção Industrial e Segurança, com staff externo contratado para dar suporte em relações trabalhistas e segurança corporativa, numa época em que "paggers" , "celulares" , "laptops" e PCs ainda faziam parte do imaginário sonhado  e acessível apenas em poucos países !

          

A Greve em sua exata dimensão é o Direito de  toda e qualquer pessoa de se abster de trabalhar, como meio  de pressionar o empregador visando a obtenção de uma reivindicação de interesse geral.

É uma ruptura no relacionamento capital - trabalho, que pode envolver um conjunto de fatores objetivos, subjetivos e políticos e que num determinado momento são apropriados pela representatividade sindical, instaurando-se o conflito entre as partes.

A perfeita interpretação e as gestões sobre o problema, é que vão impedir que o conflito torne-se um confronto. No que tange a segurança empresarial, o papel relevante é o trabalho de "prevenção", entendendo-se como tal, todo e qualquer movimento ou intervenção que tenha por escopo principal, manter as condições de segurança para pessoas, bens e instalações, ou seja, a segurança empresarial tem papel destacado nesse ambiente, em diversos momentos. Assim , é importante que exista um conceito profissional da greve no que tange a percepção da segurança, e isso passa pelo sistema de planejamento e gerenciamento organizacional e tático em situações de emergência, devendo o setor estar apto ao seu pleno desempenho, com o treinamento específico das equipes de segurança para tais situações, evitando-se danos decorrentes de situações inadequadas, que podem resvalar para a responsabilidade civil, criminal, administrativa e prejuízos à imagem da empresa. Da mesma forma, que existe uma nova conformação para as greves a partir da organização sindical, na mesma proporção, deverá existir uma "competência" da segurança nesse novo cenário visando a prestação de serviços qualificados à empresa, em momento tão delicado e de variadas implicações para a continuidade do negócio, devendo estar apta em especial para a  integração vertical e horizontal com outros órgãos da empresa.

(*) Carlos Paiva - Presidente do Comitê de Segurança Empresarial 
da Agência Brasil de Segurança - ABS -

E-mail: paiva@pointtrade.com