Carlos Paiva (*)
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Atentados, Ameaças, Incêndios, Explosões, Vazamentos de Produtos Químicos, Acidentes com produtos biológicos, Espionagem, Paralisação de Redes ou sistemas internos de TI , Seqüestro de Executivos, Furtos, Roubos, Fraudes, Chantagens, intrusão nas edificações e outros tantos incidentes e riscos ameaçam as empresas diuturnamente. Uma análise primária dos últimos incidentes na área de segurança corporativa e que foram divulgados pela mídia, levam-nos invariavelmente a conclusão da causa, como falta de prevenção e reação adequada ao incidente. antecipadamente tratada a partir de análise e gestão operativa de risco. |
Na ocorrência das situações indesejáveis, quase sempre existe a função reativa, adotada , quase sempre, com forte impacto emocional e com foros de "desespero", já que a situação adversa traz à sua frente o pânico e o descontrole. Isso ocorre, em razão das estruturas e pessoas não estarem preparadas para o pior ! Prova disso, é o que observamos nas vias públicas quando da ocorrência de um acidente veicular. Todos correm, todos querem ajudar, mas a enorme maioria não sabe como e o quê fazer. Não raro, existe uma demora em alguém acionar o socorro especializado, ainda que com os meios de comunicação em suas mãos, mas estático e curioso, alí permanece olhando, estático e surumbático com a cena a sua frente...
Em Segurança Corporativa, as coisas não se passam de forma diferente. Recentemente uma grande empresa de alimentos teve sua fábrica atingida por um incêndio, e foi socorrida pelas brigadas de dez empresas em sua circunvizinhança, mas anteriormente quando chamada a participar do grupo de auxílio mútuo, não quis fazer parte, certamente acreditando que por ser uma das maiores empresas mundiais do segmento, nunca precisaria da ajuda de ninguém, ou que sua fábrica estaria imune a sinistros. O custo da renovação de seu seguro, deve agora estar fazendo seus dirigentes repensar em prevenção.
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Ainda abordando fatos curiosos, vale lembrar a empresa que com altos investimentos na área de segurança, e que por várias vezes foi mostrada como exemplo de segurança empresarial, teve sua fábrica invadida de madrugada, com o roubo de algumas carretas de produtos. o fato marcante, é que para entrar na fábrica, foram na residência do responsável pela segurança, e mantendo sua família como refém, o fizeram ir até a fábrica para assegurar o acesso e alí permanecer por cerca de duas horas garantindo a realização do roubo. A metodologia criminosa, em nada inovou já que há mais de duas décadas, é comum atacarem bancários em suas casas para abrirem agências. O que se toma como grave, é que se existem alarmes nos estabelecimentos, qual a razão de também não serem instalados nas residências de funcionários, que em razão de seus cargos ou funções possam ser alvos de ataques criminosos em suas casas ? Os recursos de segurança eletrônica, quando acoplados a sistemas integrados e multimeios de segurança física e patrimonial, podem dar resultados eficazes. |
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O recente ataque a um dos mais seguros condomínios em Curitiba, no Paraná, deve servir para o redesenho das estruturas de segurança de instalações. Da mesma forma, o incremento de roubos a prédios comerciais e/ou residenciais, mostra que o planejamento de segurança está sendo antecipado pelo crime, que consegue neutraliza-lo. Novas respostas antecipadas precisam ser estudadas e pensadas para o enfrentamento ao crime, visando a supremacia da proteção contra a ação criminosa, e os prejuízos daí decorrentes para as empresas. É fácil perceber que em alguns casos, a idéia de “ segurança “ escapa da técnica e é trabalhada como algo infalível e quase teológico, ou seja, todos passam a acreditar que existe , negligenciando e não adotando um redesenho de riscos, comportamentos e procedimentos reativos, o que facilita, quando não, até incentiva a ação criminosa.
Fato importante a destacar no atual contexto da segurança corporativa, é o segmento de “segurança da informação”. Presentemente, o conceito, foi apropriado pela área de TI, e fica reservado ao conjunto de medidas que visa a proteção das informações que circulam nas intranets e sistemas da empresa. Com uma visão centrada na retirada ou supressão de dados, muitas vezes, é esquecido que o acesso a determinadas informações pode assegurar o resultado de um crime. Em uma auditoria de segurança, na qual participamos recentemente em uma empresa, tivemos a oportunidade de verificar a facilidade de acesso a endereços e dados pessoais de empregados, através do sistema de RH da organização. Cerca de trinta pessoas poderiam acessar a dados como endereços, telefones e documentação dos empregados, além de suas fotos, e dados familiares, de diversas estações em vários pontos do país. Outras quase cem, poderiam obter parte desses dados. A facilidade na obtenção de dados, pode ensejar a busca criminosa desses registros e que podem dar-se de formas variadas, desde a chantagem contra um empregado, passando por ameaças ou até a “compra” desses dados. Num mundo conturbado pelo crime em suas várias modalidades, não é preciso que se chegue a paranóia, mas é necessário que se repense alguns modelos, que expõe a risco as empresas e seus colaboradores.
Ainda sobre fatos curiosos observados em nossa atividade profissional, pudemos observar o descuido com que se dá a “entrada” de colaboradores e prestadores de serviços na empresa. Quase sempre a confirmação de endereço, é feita por um documento apresentado pelo interessado(?), não existe uma pesquisa de avaliação quanto aos antecedentes comportamentais e sociais do candidato, levando muitas vezes a organização a contratarem “problemas”, que mais a frente vão resvalar para riscos à segurança interna. Nos casos de fraude, quase sempre é possível comprovar que o fraudador , já tinha sido desligado de outras organizações pelo mesmo problema, mas que no sistema usual de consultas esse fato era omitido ! Sabe-se que nesses casos somente uma diligência feita por um investigador privado, com o uso de pesquisa encoberta e em caráter discreto, poderia obter a positivação de uma contra-indicação quanto a admissão. Para confirmar a espécie, basta lembrar o rumoroso caso de uma jovem assassinada no RJ, por um empregado do prédio, após sevicia-la, e que na investigação policial, foi descoberto que o mesmo, havia sido desligado do emprego anterior, por tentativa de agressão sexual perpetrada contra uma empregada doméstica. A administradora anterior, omitira esse dado, preocupada em não ter provas, e com isso causou indiretamente uma morte, já que o psicopata conseguiu novamente entrar no círculo profissional que lhe permitia ataques a mulheres em prédios residenciais.
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Os exemplos acima, mostram de maneira inconteste a necessidade, do planejamento antecipado em segurança corporativa. O uso dos modelos de gestão de crise, com o estudo, a análise e a avaliação dos cenários indicativos de risco, e as medidas protetivas e/ou reativas, moldadas de sorte a atender tais situações e emergências devem ser a razão principal da segurança corporativa no atual contexto estrutural e conjuntural de riscos. |
(*) Carlos Paiva - Presidente do Comitê de Segurança Empresarial
da Agência Brasil de Segurança - ABS -
E-mail: paiva@pointtrade.com