Sem  Saída  ?

    Roberto da Luz (*)
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Assassinatos de juizes, promotores e autoridades outras, ataques concatenados dirigidos a postos policiais, quartéis e delegacias, incêndios de ônibus (alguns com passageiros no seu interior) rebeliões orquestradas em grande número de penitenciarias, seleção e execução sumária de policiais e agentes penitenciários, infiltração do crime organizado no tecido social com a participação de advogados, políticos e policiais, seqüestros com fins de amealhar recursos ou propiciar publicidade às reivindicações de facções, enfim uma série de práticas delituosas cujo elenco não se esgota com os acima citados.

Surpreendente? Imprevisto? Certamente que não.

Ao observador mais dedicado essa inexorável marcha rumo à desordem e ao caos vem se desenhando de há muito, gerando na população indefesa um sentimento crescente de atimia.

Já são passados muitos anos desde que ouvi de um integrante do DEA - Agência norte americana de combate às drogas, narrativas referentes à escalada de violência surgida da ação dos cartéis de Cali e de Medelim na Colômbia.

Uma análise, produzida na ocasião, elencava as diversas práticas criminosas postas em prática pelos narcotraficantes sedimentadas na corrupção reinante a ponto de, em certas circunstâncias, exercerem pressões e controle de segmentos do executivo e judiciário alem de lograrem ocupar cargos políticos.

No final de sua exposição o agente fez uma previsão segundo a qual, em alguns países, estavam presentes inúmeros fatores tendentes a possibilitar, no futuro, ocorrências assemelhadas aquelas que acabávamos de examinar.

Confesso que aquela palestra motivou-me a tal ponto que, por três vezes, visitei a Colômbia tendo oportunidade de constatar a luta constante das autoridades locais para erradicar o crime organizado já totalmente enraizado na sociedade e nos diversos segmentos político-administrativos.

Destas viagens ficou, além da análise dos meios empregados pelos marginais naquelas paragens, a constatação da sua influência e da rede de terror por eles implantada de modo a obter, por todos os meios possíveis, o prevalecer de suas idéias e planos.

Ficou também patente a evolução das ações das autoridades no combate ao crime, que lograram inverter as tendências até então amplamente favoráveis ao narcotráfico. Após certo tempo, a impunidade foi substituída por ações concatenadas que propiciaram uma reversão do quadro até então dramático vivido pela população colombiana.

Voltando ao nosso país e aos nossos problemas, e lembrando, por óbvio, os inúmeros pontos de convergência entre as ações criminosas aqui desenvolvidas e as praticadas na Colômbia, vamos nos ater aos fatos mais recentes.

O seqüestro de funcionários de uma das mais influentes redes de televisão, forçando a empresa a veicular a mensagem de interesse dos criminosos expõe a fraqueza do Estado, e não somente das organizações policiais, mas também e principalmente a total falência da política de segurança nos diversos níveis.

Face à exigüidade de tempo e influenciada pela onda de violência creditada ao PCC, organização que atua dos presídios de São Paulo, a empresa teria mostrado o vídeo à polícia, e após aconselhar-se com duas empresas internacionais especializadas em riscos e segurança decidiu exibir o vídeo no estado de São Paulo.

Nesse episódio teria sido acionado ou consultado o Gabinete de Gestão Integrada de Segurança Pública, que segundo o Ministro da Justiça estava funcionando de “maneira informal”?  Não temos dados a respeito.

Certo é que, naquela ocasião atuaram empresas com grande experiência internacional para opinarem sobre segurança interna e gerenciamento de crise.

A falência dos organismos públicos a quem caberia a proteção da população, abre espaço para a indústria da segurança particular à exemplo do que já ocorre em outros  países cujo risco pessoal também atinge alto nível. Números expressivos vêm sendo apurados em termos de gastos com firmas de proteção e segurança tanto empresariais quanto pessoais, números esses bastante maximizados nos últimos anos.

Como resultado, a evolução tecnológica, o treinamento constante, a obtenção de “know how”, vem se somando cada vez mais aos recursos e às políticas postas em prática objetivando a atividade de proteção e segurança. Concordemos ou não, essa opção, para quem pode pagar por ela, se afigura como uma das poucas ao alcance do cidadão para escapar ao caos reinante.

Roberto da Luz
                                                                          Consultor em Segurança Empresarial, Analista
de Informações, Administrador e Advogado.
É Delegado da Policia Civil (aposentado) e
Coordenador do GESI (Grupo de Estudos de Segurança & Investigações)