PREVENÇÃO DE ACIDENTES
A Metodologia da Entrevista como ferramenta de gestão.
Célia Menezes(*)
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A não utilização da metodologia de entrevista por profissionais das áreas de Recursos Humanos e Segurança do Trabalho, como ferramenta operacional, quase sempre, acarreta danos irreparaveis nas Organizações. A prática mencionada consiste em maximizar os resultados da entrevista, vinculando-a a um “perfil” ajustado, o que obriga seus operadores ao conhecimento e atualização constante no processamento do preparo, execução ou produto final.
A entrevista em sí, aliada ao carater técnico da ação de entrevistar, acaba por tornar a entrevista em algo pobre, subordinado e dependente das finalidades burocráticas institucionais, com perda de objeto, devendo sua mudança de perspectivas e resultados serem reavaliadas, visando um efetivo resultado para os fins a que se propõe. Assim os denominados “princípio da generalidade” e “ princípio da individualidade”, com a integração da “perspectiva compreensiva”, é que poderão instrumentalizar resultados com indicadores de qualidade nos seus efeitos.
Por princípio de generalidade entende-se, os pontos comuns concernentes a outros casos, ou seja, o que há de geral e permite comparar o problema em questão com outros.
Por princípio da individualidade, encontramos a significação do comportamento de cada pessoa entrevistada, aquilo que a distingue das demais, tornando-se diferente de todas as outras.
Falando de perspectiva compreensiva, que diz respeito a fatos e causas, vivências e sentidos. Compreender é aprender os objetivos da vida, para alcançar uma vivência originária na forma do gesto, linguagem ou cultura.
Precisamos destacar modelos, projetos, alternativas e valores últimos que possibilitem um saber “SOBRE” a pessoa, mas não o saber “DA” pessoa. Dessa forma, a entrevista é antes de tudo um meio de “conhecer” e não de “julgar”, o produto de uma entrevista, pode ser a diferença entre um grave acidente na empresa, ou o seu evitar !
Na intersubjetividade do dialogo e na forma de significar o mundo por seu comportamento, explicita para tudo aquilo que teria dito ou realizado, deixado de dizer e deixado de realizar, desvelando o que pode ser realizado e o que não será. A psicologia enquanto ciência, traz respostas adequadas as demandas relativas a seleção e a adequação de recursos humanos, atendendo a sociedade e a organização em suas necessidades e possibilitando para o indivíduo seu bem estar físico e mental no trabalho.
A segurança do trabalho, na concepção ampla de prevenir acidentes, trabalha sobre o comportamento humano e em suas variáveis, tendo de adequar o indivíduo a atividades diversas e quase sempre a riscos inesperados, provenientes de situações vinculadas ao ambiente e/ou a sua postura comportamental. A “profilaxia acidentária” é o meio pelo qual devemos intervir para inibir a ocorrência do acidente, e isso se faz preliminarmente no sistema de captação de recursos humanos, quando se busca selecionar alguém para uma determinada posição em nosso quadro de colaboradores.
Meios de testagem ( laudos de anmenese ) para a avaliação devem e podem ser usados na exata dimensão dos resultados que se espera, mas nunca como meio definitivo ou final de aprovação ou recusa, que deve referenciar sempre o usuário final e a área de segurança ocupacional, como indicadores para o resultado final, ou seja, o usuário final e a segurança devem participar da avaliação de forma direta, intervindo na apreciação através de entrevistas e dinâmicas com o candidato , objetivando que a escolha tenha a maior aproximação possível da satisfação total para o colaborador e para a organização.
Dessa forma, é importante que a aplicação de entrevistas seja uma ferramenta de gestão para a prevenção de acidentes, através da capacitação de seus agentes diretos, nas técnicas pertinentes, que lhes permita uma avaliação mais real de um candidato, até porque não é por demais chamar a atenção, de que muitas vezes esse candidato a um novo posto, seja por seleção interna ou externa, terá de mudar todo o seu comportamento em função de novas atividades e/ou riscos, necessitando não somente de novas práticas comportamentais através do treinamento e requalificação.
Portanto, explorar a entrevista como suporte para a seleção/recrutamento, e ampliar as bases de sua aplicação operacional por novos agentes, formulando a didática e a prática operativa da entrevista, são meios de estabelecermos novas práticas para a prevenção dos riscos ocupacionais.
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Célia Menezes
Doutora em Psicologia, Administradora, Consultora
nas áreas de RH , Treinamento
e Gestão.
E-MAIL : celiapsi@estadao.com.br