Ameaças virtuais à solta
Scott Spanbauer(*)
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Adoro o notebook Toshiba que comprei no ano passado.
Guardo nele praticamente tudo que se relaciona a trabalho,
estudo e finanças. Por isso, quando recebi um e-mail da
Toshiba, alertando que o modelo que possuo poderia ter um
defeito de memória que ameaçava os dados, fiquei ansioso para
descobrir se meu equipamento havia sido afetado. Um link na
mensagem me levou para uma página web do fabricante, que
prometia baixar um utilitário em meu computador para verificar
o módulo de memória defeituoso. Eu só tinha de clicar em um
botão.
Mas, quando estava prestes a acionar o mouse,
uma dúvida brotou das profundezas da minha credulidade
digital. Será que a coisa toda não passaria de um scam? Será
que eu estava prestes a baixar e instalar um cavalo-de-tróia,
um programa backdoor ou um worm?
No fim das contas,
descobri que não era um truque: a Toshiba realmente havia
enviado o e-mail com o link incorporado para download de um
arquivo executável, localizado em um longo e complexo endereço
web. O problema é que façanhas phishing, “seqüestros” de
browser e outros scams online, com freqüência, capturam suas
vítimas usando mensagens de e-mail com aparência
similar.
Felizmente, você pode aprender a detectar
estas fraudes de e-mail valendo-se de um punhado de técnicas
investigativas e de muito bom senso. Veja, a seguir, como
diferenciar uma mensagem genuína de uma comunicação
espúria.
NÃO MORDA A ISCA
Você
estará protegido da maioria dos ataques por e-mail se tiver em
mente uma única coisa: presuma sempre que qualquer mensagem
possa ser maliciosa. Não importa quem é o destinatário ou se
os logos corporativos, o visual e os links embutidos pareçam
autênticos.
É fácil para artistas da fraude criar
mensagens falsas, contendo endereços de retorno, imagens e
URLs tiradas de web sites oficiais de qualquer
companhia.
Encarne o espírito paranóico para examinar
mensagens criticamente. Se você não
tiver uma conta no
Citibank, o banco não vai enviar para você nenhum e-mail
relacionado a sua conta bancária nesta instituição. Mas até
mesmo as mensagens que pareçam vir de instituições onde você
tem conta podem não ser reais. Lembre-se de seu
novo lema: não confiar em ninguém.
Antes de clicar
em um link ou tomar qualquer atitude solicitada em uma
mensagem, tenha certeza de que ela é genuína. Endereços de
retorno, links embutidos e imagens podem iludir. Fique atento
a alertas catastróficos e outras técnicas clássicas de fraude,
acompanhadas de um link para um web site apócrifo, onde você
será solicitado a informar dados pessoais.
Observe as semelhanças entre as mensagens (em
inglês) nas duas imagens ao lado: ambas são baseadas em texto,
razoavelmente bem escritas e plausíveis (embora a mensagem
phishing contenha também digitações e frases mal formuladas,
sem lógica). Ambas possuem endereços verdadeiros para o web
site de cada empresa (destacados em azul pelo programa de
e-mail que os exibe).
A única diferença é que a
mensagem do Citibank falsa (acima) também traz um link
para um phishing site efêmero, onde um visitante confiante é
convocado a digitar informações sigilosas. Em vez de fornecer
um link para uma página específica, as mensagens autênticas de
empresas (abaixo) que estão atentas para phishing e outras
fraudes online, em geral, vão instruir você a visitar ou logar
ao web site principal da empresa.
Outra pista: a
mensagem phishing pode ser entregue em um endereço de e-mail
que você não usa em sua comunicação com a empresa ou
instituição em questão. Observe que recebi a mensagem phishing
em um endereço amplamente divulgado e indexado (nettips@pcworld.com), enquanto a mensagem PayPal genuína veio
para meu endereço pessoal, que eu tinha confirmado previamente
com a PayPal. Se você receber uma mensagem em um endereço que
nunca registrou junto à empresa, é certeza de que ela é
falsa.
CONHEÇA SEUS LINKS
Intuição
e natureza desconfiada são um bom ponto de partida, mas, para
separar mensagens reais das fictícias, você também precisa
decifrar os endereços web contidos nessas correspondências
eletrônicas. Nas duas mensagens baseadas em texto das
ilustrações exibidas aqui, todos os endereços são texto puro –
o que você clica é o que você obtém. Se clicar em
https://www.paypal.com, irá para o web site
PayPal real. Mas se clicar em http://218.45.31.164/signin/citifi/scripts/login2/index.html
não irá para o endereço na web do Citibank.
Mais uma pista: a seqüência de números depois do prefixo
http:// da URL. Todo site reside em um endereço Internet
Protocol (IP) específico, isto é, você pode ir ao site
PCWorld.com digitando 65.220.224.30 na barra de endereço do
seu navegador em vez de “www.pcworld.com”. Entretanto,
“218.45.31.164” não leva ao site do Citibank, embora o resto
do endereço pareça com outros links em que você talvez clique
rotineiramente. A única maneira de ter certeza de que você vai
parar no site real do Citibank é digitar manualmente a URL
baseada no nome de domínio,
www.citibank.com, na janela de
endereço do navegador.
Mesmo essa opção, no entanto,
requer alguns cuidados atualmente. Se você não tiver certeza
para onde leva um endereço IP, não clique nele. Substituir um
endereço IP numérico por um nome de domínio em uma URL não é a
única maneira pela qual mensagens maliciosas tentam enganar
você.
O endereço “www.citibank.com” é o certo, mas
“www.citibank.phishing.com” poderia levá-lo a qualquer lugar.
Cada nome de domínio termina com um top-level domain (TLD),
como .com, .org, .edu ou um TLD específico do país, como .br
(Brasil), .cn (China), .uk (United Kingdom ou Reino Unido) ou
.ru (Rússia). A palavra logo à esquerda deste TLD, junto com a
porção TLD, indica o nome de domínio real: “citibank.com”, por
exemplo, é suficiente para que se vá ao site do Citibank.
Quando um phisher modifica um nome de domínio
ligeiramente ou insere uma palavra à esquerda do TLD, o nome
muda. Os phishers esperam que você não saiba ou não perceba a
diferença entre “pcworld.com” e “pcworld-gotcha.com” ou
“pcworld.phishing.com”. Os ataques via e-mail também
podem
usar o formato web para encobrir o verdadeiro destino
de links.
Se uma mensagem é composta com o uso de
HTML, o texto do link destacado talvez não seja o mesmo do
link real embutido. Foi o caso do e-mail da Toshiba e o que me
fez desconfiar de sua origem. A maioria dos programas de
e-mail exibe uma URL subjacente ao link embutido na barra de
status inferior ou em uma pequena janela pop-up quando você
paira o ponteiro do mouse sobre ela.
O CAMINHO
SEGURO
Eu precisava descobrir se a mensagem da
Toshiba era genuína. Em caso afirmativo, eu teria de testar o
módulo de memória defeituoso do meu notebook. Para começar,
entrei a URL do provável site da Toshiba – “toshiba.com” – na
barra de endereço do navegador, o que me transportou para um
site global da companhia.
Depois de pesquisar um pouco,
tropecei em uma página que descrevia os mesmos problemas
observados no e-mail da Toshiba e usava as mesmas URLs. Voilà!
Estava confirmado – o e-mail era legítimo. Mas hora nenhuma
cliquei no link embutido na mensagem, optando por chegar ao
site da empresa por meio do link. Cuidado nunca é demais.
Scott Spanbauer