Ameaça de bomba ou atentado com armas biológicas
Marcy
José de Campos Verde, CPP![]()
Antes de mandar iniciar o abandono das
instalações e fazer com que o objetivo do criminoso seja atingido, devemos
analisar os pontos seguintes.
Explosivos são substâncias que sob a
ação de um excitante transformam-se desprendendo- elevadas temperaturas, forte
luminosidade e volume de gases (onda positiva e negativa) em um curto espaço de
tempo, produzindo efeitos mecânicos e sonoros.
Os explosivos são divididos em dois tipos :
EOD (Explosive Ordinance Disposal) – são os explosivos fabricados em processo industrial, por exemplo uma granada;
IOD (Improvised Explosive Device) – são os explosivos fabricados de uma forma caseira, por exemplo lata com pólvora retirada de rojão.
Os
explosivos podem ser sólidos (pó, grão ou massa), líquidos ou gasosos.
Os artefatos possuem um alto poder de destruição e uma relativa facilidade de instalação no local ameaçado.
Os explosivos podem ser apresentados de uma forma dissimulada ou camuflados, por exemplo : uma carta, uma caixa de relógio, um CD, um livro, uma caixa de sapato, uma valise ou mochila, etc.
Toda ameaça representa um risco com
potencial significativo para os usuários
do local (população fixa e flutuante), às operações do empreendimento e às
edificações.
O empreendimento dever estabelecer políticas,
diretrizes, medidas e procedimentos para o gerenciamento da crise, contemplando
desde a ameaça de bomba até a concretização deste risco, ou seja, a
explosão do artefato.
As
conseqüências humanas podem variar da lesão corporal até a morte das
pessoas. Os efeitos financeiros se traduzem por meio da paralisação das
atividades administrativas e operacionais, por exemplo um CPD de uma instituição
financeira, um call-center de uma companhia aérea ou de uma administradora de
cartão de crédito ou a central de assinaturas de uma revista ou jornal , além
de danos ao patrimônio da empresa no caso da concretização. Fora o stress
psicológico e o desgaste da
imagem da instituição por divulgação
do fato na mídia, escrita, televisionada e falada, apontando o descontrole da
situação.
Todo
plano de segurança deve contemplar três fatores :
Proteção às vidas humanas;
Recuperar e estudar as ameaças e evidências.
O
papel da área de segurança do empreendimento é o de impor dificuldades,
eliminando ou reduzindo o campo de
ação do criminoso, através da
elaboração de uma análise de risco, que utilize um critério científico,
elaboração e implementação do plano de segurança e de contingência do
respectivo site, realização de simulados para todas as situações e locais,
realização de auditorias para detectar não conformidades e se atualizar o
procedimento ou o treinamento, programa de capacitação para todos os
colaboradores envolvidos com este processo e a análise de ocorrências
anteriores no seu site ou no seu segmento de negócio.
Esta
ocorrência pode ser iniciada de 04 formas :
Telefonema informando;
Localização de um objeto suspeito;
Explosão
de um artefato.
A questão que surge é : “O que fazer no caso de uma ameaça? “ e “Devemos adotar o mesmo padrão de resposta para todas as ameaças de bombas?”
O
plano de contingência deve determinar :
como o colaborador que recebe a ameaça deve tratar o telefonema;
quem e como será avisado;
procedimento para acionamento de apoio externo especializado;
procedimentos
de evacuação (parcial ou total);
procedimento para primeiros socorros, no caso de feridos;
procedimento
para incêndio, no caso da explosão.
O
plano de contingência deve definir quem formará o comitê de crise, inclusive
relacionando titular e suplente (caso de afastamento – férias, doença, etc)
para cada função.
A
função do comitê é reunir os dados e analisá-los, informar a alta direção
dando subsídios para a tomada de decisões, recomendar e implementar ações
mobilizando os meios e fazer o follow-up com a alta direção.
No
caso de um telefonema, informando o fato, deve haver um formulário em todos os
pontos possíveis de receber a chamada, em um call-center, todos os pontos de
atendimento devem dispor deste formulário,
Este
questionário deve relacionar, entre outros itens, data, horário e duração do
chamado, características da voz (sexo, sotaque, idade, detalhes), transcrição
exata do interlocutor (existe a possibilidade de gravação, para posterior análise
e investigação), porque a bomba foi colocada (motivo), qual a sua aparência,
qual o local em que ela foi deixada (verificar se o criminoso conhece a
instalação física, por exemplo cita uma sigla utilizada internamente que
define determinada área), ruídos de fundo (música, tráfego, vozes, máquinas,
trem/metrô, etc), se a ligação foi feita em telefone público ou privado (é
possível identificar o local da chamada por meio de um sistema eletrônico e
posteriormente investigar o fato) e nome de quem atendeu.
Para
se atingir a perfeição no desenvolvimento deste trabalho, que é uma das fases
mais importantes, para posterior análise na tomada de decisão e investigação,
todas as pessoas que podem receber uma ligação devem receber um treinamento
sobre o assunto e como o questionário deve ser preenchido.
Após
o treinamento devem ser feitos vários simulados, sendo que a primeira coisa a
ser dita ao atendente é “chamada de simulação”, posteriormente passa-se
toda a informação e depois se verifica, se e quais dados não foram
relacionados. A capacitação dos envolvidos é muito importante para a análise
da ameaça, pois se pode classificar a credibilidade da ameaça.
Marcy
José de Campos Verde, CPP
- É
consultor sênior em segurança empresarial
Site
– www.marcy.com.br
E-mail: falecom@marcy.com.br